quarta-feira, 13 de julho de 2011

ANÁLISE ESPIRITUALISTA DO FILME “O PÁSSARO AZUL” - PARTE 1

Como primeira postagem, uma pequena análise sobre o filme "O Pássaro Azul". É um filme belíssimo, que eu sempre via quando passava na Sessão da Tarde, da Rede Globo em minhas priscas eras. Há na Internet o filme para ser visto on-line ou peguem na locadora, pois há muito não é reprisado, e abram os olhos para as verdades espirituais ali contidas.

Histórico: O Pássaro Azul (L'Oiseau Bleu) é uma peça do dramaturgo belga Maurice Maeterlinck, escrita originalmente em francês em 1908, estreou em 30 de setembro desse mesmo ano no Constantin Stanislavski’s Moscow Art Theatre. Em 2 de março de 1911, foi a estreia francesa, no Théatre Réjane, em Paris. O livro é uma peça de teatro ambientada numa época distante, há mais de cem anos. E sua primeira publicação, em francês, deu-se em 1909.
Foi transformado em filme através de diversas versões, além de uma série de televisão. Maeterlinck escreveu também uma pequena continuação, “L'oiseau bleu et les fiançalles”.
O compositor francês Albert Wolff (1884-1970) transformou "O Pássaro Azul" em ópera, estreando no N. Y. Metropolitan em 1919.
Foi filmado pela primeira vez em 1910, no Reino Unido, num filme mudo estrelado por Pauline Gilmer e Oliver Walter. Em 1918, nos EUA, ainda no cinema mudo foi filmado sob a direção de Maurice Tourneur e a produção de Adolph Zuckor, estrelado por Tula Belle e Robin Macdougall. Em 1940, foi feita uma refilmagem, dessa vez já em technicolor, pela Twentieth Century Fox, sob a direção de Walter Lang, com Shirley Temple, Spring Buyington e Nigel Bruce. Na União Soviética, em 1970, foi filmado pela Soyuzmultfilm, sob a direção de Vasily Livanov, com Liya Akhendzhakova, Vladimir Kenigson e Rina Zelyonaya. Em 1976, foi filmado em realização conjunta, pelos EUA (Twentieth Century Fox), União Soviética (Lenfilm) e Reino Unido, num filme dirigido às crianças, sob direção de George Cukor, estrelado por Elizabeth Taylor, Jane Fonda, Ava Gardner, Cicely Tyson e Robert Morley.
Em 1980, foi produzida uma série de animação japonesa para a televisão, “Maeterlinck's Blue Bird: Tyltyl and Mytyl's Adventurous Journey”, contando com 26 episódios, dirigida por Hiroshi Sasagawa, com desenhos de Leiji Matsumoto.
No Brasil, o livro foi traduzido por Carlos Drummond de Andrade para a editora Opera Mundi, do Rio de Janeiro, em 1971.

Aqui trataremos do filme de 1940 de Walter Lang.

Sinopse: O filme narra a história da família Tyl, cujo patriarca é convocado para combater Napoleão e precisa deixar os filhos em casa sozinhos. A garota Mytyl e seu irmão Tytyl passam a viver algumas aventuras depois que acordam e se empenham em capturar o conhecido "pássaro azul da felicidade" ao seguir as ordens da fada Berylune. Assim, seguindo a Luz, os meninos são enviados, juntamente com o sua gata Tyllete e o cachorro Tylo, transformados em humanos, em busca do pássaro azul  através do passado, do presente e do futuro.

- início em preto e branco: apesar do filme ter sido uma tentativa de resposta da FOX ao “Mágico de Oz” da MGM, utilizando o recurso de iniciar o filme em preto e branco, tal recurso teve por finalidade inicial mostrar como era a vida da pequena Mytyl, o seu mundo escuro, cheio de orgulho, inveja e vaidade. Ela e o irmão pegam uma ave na floresta do rei Rudolph e seguem para a cidade, com medo de serem pegos pelos guardas. Duas cenas são emblemáticas das paixões então vividas pela infante, uma, ao parar em frente à janela de Angela, uma amiguinha doente, que lhe pede o pássaro para acalentar-lhe o sofrimento, Mytyl se nega e Angela lhe oferece em troca uma boneca que nossa protagonista sempre desejou, ao vê-la em farrapos nega-se de novo. A outra é quando os dois irmãos param em frente à uma casa rica, onde se comemorava o Natal com fartura. Ao ficarem olhando, um senhor lhes oferece bolo; mesmo com vontade, Mytyl se nega a pegar dizendo que não eram pedintes e não deixa Tyltyl pegar tampouco. Nestas duas, vemos sua inveja (pela boneca), vaidade (por não pegar o bolo, mesmo querendo) e inveja (ao querer ter uma vida rica).
Ao chegar em casa, à mesa, reclama das suas condições, de não ter o que achar que deva ter e fala impropérios aos dedicados pais. Logo após, chega a notícia que o pai deve ir para guerra lutar contra Napoleão e o clima fica mais sombrio.
Em vários livros que reportam o “outro lado”, como “Mundo dos Espíritos” de Swedenborg, “Voltei” de Irmão Jacob e “Nosso Lar” de André Luiz, ambos pela psicografia de Chico Xavier, as regiões nas quais os sentimentos inferiores do ser humano predominam são sempre retratados cinzentos, sem cor alguma ou em trevas absolutas. Aliás, tal interpretação é milenária em todas as culturas, provinda de uma lembrança inata de todos os seres que uma vez ou outra estagiaram em tais regiões umbralinas purgatoriais. Os medos do escuro e de seres escondidos nas sombras muito provavelmente provêm desses estágios expiadores.

- colorização do filme: começa então a parte colorida. Bate a porta uma senhora em andrajos que se diz ser a fada Berylune. Temos aqui a figura do espírito ou gênio familiar protetor, mas não seria a figura do chamado “anjo da guarda”. O Espírito Protetor, ou bom gênio, é o que tem por missão acompanhar o homem na vida e ajudá-lo a progredir. É sempre de natureza superior, com relação ao protegido, conforme o “Livro dos Espíritos” de Allan Kardec. Vemos isso ao praticamente obrigar os dois irmãos a irem atrás da felicidade, incorporada no pássaro azul. Ela forma a comitiva que os acompanhará, composta de três membros:

- a mentora: o espírito familiar auxilia os irmãos trazendo uma entidade, a Luz, para perto deles. Personificada, a Luz é aquela que lhes mostra o caminho a ser seguido, mas sem lhes tolher o livre-arbítrio, é a mentora espiritual dos meninos. Também chamada de espírito guardião ou mentor espiritual, tal entidade de luz nos acompanha, vindo ao nosso encontro toda vez que a clamamos ou quando necessitamos de ajuda.

- o anjo da guarda: é o cão Tylo, metamorfoseado em humano pela fada. Apesar de medroso, Tylo tem um enorme coração e protege os meninos sempre que possível, igualmente sem esbarrar no livre-arbítrio. Amigo fiel que está sempre pronto a perdoar, mesmo quando é deixado de lado.

- a obsessora: é a gata Tyllete, igualmente metamorfoseada. Por não querer voltar a ser um animal, ela tenta de todas as maneiras evitar que os meninos achem o pássaro azul. Interesseira e mesquinha, tenta subornar Tylo, mas não consegue. Infelizmente, Mytyl, devido a sua afinidade espiritual momentânea com Tyllete, se deixa levar várias vezes, com consequências nem sempre boas. Obsessora típica, que fica pondo ideias ruins na cabeça dos pequenos, ela personifica todos aqueles que querem o melhor só para si, sem se importar com mais ninguém. É um espinho posto no caminho das crianças para que percebam que nem todos os que parecem amigos o são realmente e, como diz Paulo, temos de saber quais os espíritos provêm de Deus e sabermos como evitar os que não são.

12 comentários:

  1. Interessante seu post.
    E o filme é excelente.
    Cordial abraço.

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  2. Depois de muitos anos senti vontade de assistir esse filme que fez parte da minha infância.
    Adorei sua observação espiritual.

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  3. Assisti este filme quando era menina e nunca esqueci! Agora depois de adulta fiz questão de assistir com meus filhos e hoje, ao ler este post fiquei muito feliz em saber da lição espiritual contida nele. Sempre foi uma linda lição de amor pra mim!

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  4. Não consigo encontrar o filme para assisti-lo, gostaria muito. Já me foi falado sobre ele e, comecei a procurá-lo, sem sucesso. Se possivel, gostaria de sabe, se encontro para compr-a-lo em algum site ?

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    1. Bom dia, no Youtube havia o filme inteiro, não sei se ainda o tem, mas para comprar tem aqui
      http://lista.mercadolivre.com.br/o-passaro-azul#D[A:o-passaro-azul].

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  5. Amo este filme,ele sempre fez parte da minha vida 💕

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  6. um filme chama atenção sobre livre arbítrio lei causa e efeito anojo guarda lembranças vidas passadas, lembrar nossos familiares que já moram no mundo espiritual. reencarnação oportunidade Deus nos dá.adorei e vou assistir com meus evangelizandos .

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  7. Um filme maravilhoso que só lembra minha infância, vi por muitas vezes na sessão da tarde e que nesse post é retratado da forma como sempre enxerguei o filme. Parabéns!

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  8. Esse filme fez parte da minha infância, muito lindo

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  9. Esse filme parece um sonho....as versões de 1940 e 1976 são as melhores eu recomendo,quem tem a sensibilidade de perceber as sultilezas da vida vai se identificar muito,é uma linda reflexão.

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  10. Texto maravilhoso! Lúcido!!!! Adorei!!! Bravo!

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